Nesta (tenra) idade

 




Fotografia minha



Tudo passa...

E somos sal.

Areia na argamassa

Deste edifício erigido

A que chamamos abrigo

Onde bate um coração.



Tudo passa...

E mais um ano junta-se a outros passados.

Sem noção dos passos andados

Ou de quantas lutas travámos...

Mais cansados caminhamos

e depressa seremos pó.



E quando me davam rosas,

Sempre as agradeci com um sorriso,

Preferindo flores silvestres.



E sempre que doía...

Afastava o pó das vestes...

Mordia os lábios. Seguia.



E quando perdia a chama,

Enxotava a fragilidade,

Mastigava força em rama.



E de um nada...

Cheguei aqui.

Antes tinha tanto tempo. Parecia-me o tempo todo!



Hoje bocadinhos de dia...

E quando os encontro, assustados, entre as horas agachados...

Olhando de baixo para cima para o tempo acumulado.



Percebo que num nada... 

Terei passado.

Sem que me fosse mais dado um ósculo pela minha mãe.






Comentários

  1. Olá, cara amiga Maria.
    Poema muito bonito. Descrevendo com rara beleza, o crescimento da nossa consciência pelo mundo que nos rodeia. E ao mesmo tempo, sentir o significado de sermos gente.

    Gostei muito.

    Muito obrigado, pela visita e gentil comentário no meu cantinho.
    Deixo os votos de um feliz fim de semana, com tudo de bom.
    Beijinhos!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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    Respostas
    1. Olá, Mário! Muito obrigada pelas suas amáveis palavras. Também gostei muito dos seus cantinhos e continuarei a visitá-los com a atenção que merecem. Muito obrigada pleos votos de bom fim-de-semana que retribuo e desejo-lhe também uma óptima semana e muita inspiração. Tudo de bom!

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