Trepadeiras e ervas daninhas
Fotografia minha, Montachique Passo por elas na estrada. Ao caminhar simplesmente, nunca me passam ao lado, ainda que as deixe para trás após passar-lhes na frente. Casas hoje sós, com janelas entaipadas ou simplesmente esventradas pelas ervas e arbustos que as tomaram de assalto. Casas mais humildes ou que aparentam ter sido paços, quintas, nos seus tempos áureos, em cujos campanários sinos imóveis, talvez carcomidos pelo tempo, nos miram sem se expressar. Casas cujos corpos, descompostos, lembram igualmente a ruína humana, quando o tempo lhes passa por cima, as atravessa, podendo contorná-las, passar-lhes ao lado. Casas que um dia tiveram gente, vozes, risos. Assistiram à vinda ao mundo de alguns, à despedida de outros, fosse com uma mala na mão, ou encasquetados a caminho da última morada. Casas tão parecidas com as pessoas que as habitam, as passantes, que as olham interrogativas quando passam na estrada, ou caminham fortuitamente o seu chão. Quanto de nós ainda pulsa e quant...




