Silêncio Sepulcral

 

Fotografia minha 


 


Agarra-se como lapa à vida.

Vida que vezes de mais desprezou.

Ao senti-la a deslizar,

como a enguia escorregadia,

foge do mar para o rio, para nele viver, procriar.




Empanturra-se de imagens. 

Dos perfumes que há no ar.

À noite contempla as estrelas,

imaginando as galáxias

que não alcança com o olhar.



Agora, chegada aqui, é normal querer regredir.

Quando a vida, mais pequena,

torna real a paragem,

onde a carruagem, ao parar,

há que irremediavelmente sair.




No sepulcral silêncio das avenidas cortado pelos pássaros.

O andar emproado das rolas,

o habitual espalhafato das gaivotas,

a intrepidez das lagartixas,

ou a elegância copiosa dos gatos. 



A vetustez das oliveiras, a invejável altura dos ciprestes,

o despropósito das árvores da borracha,

o rebentado dos passeios ou a palidez dos retratos. 

Os tantos e tantos buracos sem nomes por fora.

No interior, a carne que um dia lhes cobriu os corpos...

 


Não há espera.

Todos parecem ter ido aonde tinham de ir.

Encontrado o que nos está guardado, descobrir.

E o Paraíso, afinal?

Parece ser feito de passeios onde as raízes apenas tentam alcançar a luz solar.








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