In the safety of my paws

Imagem: Freepik
Na
infância é quando despertamos para a luz e tomamos vagarosamente
consciência do mundo. Um mundo pequenino, à altura e medida da nossa
imagem e capacidade para o entender, sem muita exigência. Pois este
mundo pequeno, onde gravitam outros, pequeninos como nós, com idéias e
quereres similares que nos permitem identificar-nos com eles formando
esse círculo diminuto que dá uma sensação única de pertença; cimenta
amizades, na cumplicidade própria das crianças cuja acuidade não está
ainda afinada.
É na adolescência, contudo, que a luz perde brilho
lentamente até, tantas vezes fenecer. Sem isso significar mal algum! A
nossa percepção de mundo dilata-se. Acontece-nos o género de
clarividência que nos apresenta à obscuridade irreprimível que impõe a
vontade de fazer o caminho mais desacompanhado, colocando-nos na frente
perguntas e respostas inquietantes que nunca se haviam afigurado.
E
aí, é na escuridão e no sossego mais profundo que, tantas vezes
encontramos a forma de enrijecer o corpo, enriquecer o espírito,
conseguindo sofrivelmente enfrentar o mundo e conviver na tranquilidade
possível; sendo, quanto a mim, o contrabalanço entre ambos,
periclitante.
Não! Não direi que é na idade madura que atingimos o
equilíbrio entre a luz e a escuridão sentindo-nos finalmente encaixados
no mundo.
Haverá sempre uma delas predominante!
Os… Alguns que aceitam a primeira sem rodeios serão sempre os imensos que criticam a segunda tentando exorcizar-nos.
Não adianta!
Porque nunca nos daremos ao trabalho de explicar-lhes, como jamais permitiremos a sua intervenção.

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