Bicho-de-conta

 


Fotogradia minha, Costa de Caparica



Eu era uma névoa cerrada.

Ao encontro de um ponto, no nada.

Deslizante sobre a terra molhada.

Sem alma, nem coração.

Perdida na escuridão.

Despojada…

Do que se chame querer.

Noção do que é ambição.


Muito antiga.

Do meu nascimento esquecida.

Varando eras sem conta.

Seguia qual bicho-de-conta.

Por caminho desolado.

Comigo só a meu lado.

Num mundo já apinhado.

Totalmente alheio a mim.


E tu? De todas as outras mulheres.

Entre as que tiveras lá atrás.

As que te rodeavam agora.

Prosseguias vida fora.

Varando outra madrugada.

Resolveste parar defronte

da perdida no horizonte,

completamente ensombrada.





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