Ferida aberta
A conclusão mais dolorosa que extraio a esta altura da vida, quando os telefones vão emudecendo, os destinos deixam de ser casa ou endereço e à mesa se põem menos pratos, é a de que não aproveitei ao máximo os meus mortos!
E ainda que os não enterre, os carregue sempre comigo em cada passo dado, a cada crepúsculo e amanhecer, e me sejam presença assaz viva e palpitante no coração, é facto!
Dói-me sobremaneira concluir que desperdicei inúmeros momentos-chave das suas existências, sobrevalorizando o seu tempo, por não lhe ter dado mais do meu, que obrigatoriamente seria bem mais rico e proveitoso se passado a seu lado, do que tantos lugares ou gente que privilegiei.
Fere, mas é fundamental concluir que as suas histórias, as mais belas, ficaram-me por saber. As suas lutas apenas as aflorei. Os pensamentos íntimos e sentires mais profundos, nunca os saberei, estivessem eles dispostos a contar-mos.
É terrivelmente triste! Desgastante. E esta conclusão defino-a como a minha maior derrota. O que de pior fiz! Todos os reveses perto disto foram pequenos nadas. Porque obviamente se resolveram de uma forma ou outra. Mas isto? Nunca terá solução.
Não obstante, talvez a cada hora se esteja a passar o mesmo comigo e alguém possa defender que a vida é tal qual, desperdiçarmo-nos. Portanto, nada a censurar. Abarcar toda a nossa existência, escrutinar cada pedaço de sentir, pensar, conhecer intrinsecamente qualquer um, por mais que se ame, é impossível. Talvez... porém...

Bom dia. Uma partilha que nos convida a refletir sobre a forma como gerimos o tempo e as prioridades. Obrigada por este texto.
ResponderEliminarMuito obrigada, Ana! Uma boa semana para si. Obrigada pelas suas palavras.
Eliminar