E mesmo assim amamo-nos embora nos odiemos também.

 

Fotografia minha, horizonte de Marvão



Isto foi o que restou de nós. Das mil e uma voltas dadas em dias vividos em cheio ou pela metade. O que ficou. Dos que nos pareceram termos simplesmente passado por eles, como se realmente não estivéssemos ali ou, por qualquer razão, eles nos evitassem.

Isto é o que, olhando para as mãos vazias, está lá, mesmo não latejante para que nele reparemos. 

Mas nada disto é, de longe, nem perto, o que nos falta completar para que nos complete e em ambos se ponha o ponto final. 

Isto foi custoso! Inglório ou vitorioso, no momento tratámo-lo como sabíamos e pudemos. Ocasionalmente inventando para com ele lidar; inovando ou servindo-nos de referências, quiçá arcaicas, não fidedignas, ultrapassando-o, no essencial.

Isto somos nós!

Humanamente despojados de peneiras que filtrem o Sol ou a Lua em todo o potencial de um e as fases da outra, nus, perante as consequências no Espelho da Realidade. Esse, implacável, que não mente, não admitindo sobre si quaisquer actos de melhoramento de imagem. 

Isto! E isto só, mas não unicamente. Ainda.

E mesmo assim amamo-nos embora nos odiemos também.



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