Catarina
Fotografia minha (Grândola, 2026)
As estradas pasmadas a sol a pino forradas passavam-me slides na frente,
desse lago cintilante, a árvores e cercas orlado,
do vasto pasto verdejante onde sossegado o gado,
do vasto pasto verdejante onde sossegado o gado,
indiferente a quem passava, comia ou ruminava,
ficando-me na lembrança vincada
ficando-me na lembrança vincada
a beleza pastoril que, nesse icónico Abril,
travou uma luta arraigada e de tanta vida ceifada,
em nome da Liberdade.
Catarina ousou erguer-se, depois de atirada ao chão,
acabando fulminada ao reclamar mais justiça na lida do ganha-pão.
Depois dela, o sangue de outros forrou pátios de prisões
e fez correr tinta a rodos, censurada por vilões.
Mas eis que veio a Revolução...
Para aplicar aos canalhas a merecida punição!
Contudo, como acontece, a vida seguiu o seu curso.
E o sangue derramado, o grito amordaçado,
foi esquecido, e olvidada a luta de quem morreu.
Morre a desonestidade solteira. Voltou-se à pasmaceira.
Sabe-lo tu.
Sei-o eu!


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