Tardes de domingo
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Já nascem mortas antes de acontecerem.
O tempo alonga-se desmedidamente.
O dia que lhes sucede é tão indesejado...
Como despedirmo-nos deste torpor?
As tardes de domingo podem ser de campo ou praia.
Passadas em pijama de flanela ou camisa de cambraia.
Só... de café na mão e livro no colo.
Juntinhos no sofá a ver séries ou a bola.
No quarto, dando largas à inspiração sensorial.
As tardes de domingo podem ser à janela...
Vendo os putos brincar na rua.
Na praça ou jardim alimentando os pombos,
vendo os peixes saltitar nos lagos.
Tardes moribundas como só aos domingos sabem ser...
Exímios na moleza que percorre o corpo,
deixa o espírito solto.
Faz de nós um gato a ronronar de prazer.
Abençoada pasmaceira.
Que, após uma semana inteira...
Nos permite uma breve liberdade condicional.


Bom dia Maria: revi-me no seu poema em muitas das minhas tardes de domingo. Já saio muito menos, e muitas vezes é assim. Mas... a quantidade de mundo que podemos descobrir num simples formigueiro! As tardes de domingo ensinam-nos que em quaisquer circunstâncias pode haver emoções.
ResponderEliminarUm abraço!
Verdade, meu bom amigo! Num formigueiro, no voo dos pássaros e o seu cirandar pelos passeios, até no "correr" das nuvens, coisas com as quais "me perco" à janela, nas tardes pachorrentas de domingo, muitas vezes acompanhada de um café bebericado lentamente.
EliminarTambém tenho saído menos. Primeiro as intempéries, depois querendo ajudar a filha mais velha com o netinho e minorar-lhe o trabalho de fazer comida, todos os dias, adiantando algumas coisas e dando-lhe para levar, para que possa descansar um pouco mais. Mas não me aborreço!
Há tanto, mas tanto para ver e aprender olhando o mundo da nossa janela. Um grande abraço, meu querido amigo! Muita saúde e tudo de bom para si e os seus. Bom resto de semana!