Nesta (tenra) Idade

 



Imagem: Freepik




Tudo passa...

E somos sal.

Areia na argamassa

Deste edifício erigido

A que chamamos abrigo

Onde bate um coração.


Tudo passa...

E mais um ano junta-se a outros passados.

Sem noção dos passos andados

Ou de quantas lutas travámos...

Mais cansados caminhamos, depressa...

Seremos pó.


E quando me davam rosas,

Sempre as agradeci com um sorriso,

Preferindo flores silvestres.


E sempre que doía...

Afastava o pó das vestes...

Seguia.


 

E quando me sentia incapaz,

Enxotava a fragilidade,

Mastigava força em rama.


E de um nada...

Cheguei aqui.

Antes? Tinha tanto tempo, o tempo todo!


Hoje só um bocadinho de dia...

Quando o encontro, assustado, entre as horas agachado...

Olhando de baixo para cima para o tempo que acumulei. 


E de um nada... puf!

Terei passado.

Sem que mais me seja dado um beijo p'la minha mãe.





 

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