Entrelaçados
Cada um que pensa estar só, desengane-se! Em si concentra todos os de antes. Personalidade e tamanho. Voz, tiques, tudo o que herdou. Algo de mau, outro de bom. O que disto conseguir fazer. Valor que lhe quiser dar. Orgulhar, não orgulhar. E todos caminham a passo, quando a passo vamos. Todos correm ou, tendo vagar, deitam-nos a mão para evitar quedas e feridas.
Trago comigo todos os que foram meus!
Reconheço-lhes os trejeitos na superfície dos rios. Sinto-os na brisa e no roçagar das folhas. Nas sombras do entardecer. E quando me deito… aconchegam-me os lençóis, se estou cansada.
Roubam-me lestos a almofada, se notam que tenho coisas em mente. Ficam ali silenciosamente, ou quem sabe a segredar soluções que não vislumbrava. Até sucumbir aquietada, num sono que reconforta.
Cada um dos meus é uma empena, janela, uma porta. A trave que me suporta. Como almejo ser para os que acharem por bem lembrar-me um dia...


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