CARMESIM

 




 


Imagem minha, Gerês, 20219


Trazes-lhe das amoras silvestres.

Os espinhos que lhes tiraste

para que da pele não brotasse

uma gota rubra de sangue.


Melhor fora que lhos deixasses.

E ao pé dela te chegasses

sem frutos para ofertar

Mas a sangria parar, evitando ficar exangue.


Com a dor da decepção,

Varou-se-lhe o coração...

Como lâmina desalmada,

que se enterra na carne tenra...


Ou na baínha, uma espada.

Trespassa a carne pura, nunca por outro tocada...

Nada diz.

Não pede nada.


Nunca julgou que espinhos pudessem crescer-lhe por dentro.

Uma pessoa se parecesse com uma casa abandonada.


Por dentro toda escavacada.

Por fora pasto de ervas, arbustos, ferrugem e bolor.


Não se interroga por quê?

Quando, onde, se não vê... pingar carmim, tanto amor.




 


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