Confortavelmente

 

Imagem: Freepik


Quanto menos sou para os outros, melhor me sinto comigo mesma. Sem ter de provar a alguém alguma coisa, sou esta pequenez e serve-me como roupagem. Tudo o que fosse cortado dentro dos moldes,  trouxesse etiqueta requintada e acondicionado em caixa ímpar, com laço sóbrio, enfiado depois em saco de monta, não me serviria. 

Na companhia de um Inverno frio, teimo em caminhar entre as ervas orvalhadas, bebendo a paisagem até onde a vista alcança e o nevoeiro deixa, mas não impede que o adentre.

É isto que gosto de ser. Ora silhueta, ora inexistência, névoas afora. Um ninguém pequeno, pura miragem, que passou pela vida como tantos mais. Qual fumo exalado em corrida célere. Perfume a elevar-se em chávena de café.

Não existir para os outros ainda em vida e constactá-lo não me desencanta de viver. Ser ninguém para eles nunca pesou no que sou e quero para mim.



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