Não Acredito
Ainda me lembro de ti...
De quando batias à porta do meu coração e entravas sem te abrir.
Como te sentavas no maple, após servires-te de um copo
e fazias da minha alma... a tua sala,
do meu corpo a tua casa.
Ainda me lembro de chegar e ver-te de comando na mão
a descodificares-me... todos os canais proibidos,
entrando de rompante pela minha privacidade,
descobrindo os meus segredos,
no mais íntimo de mim, sem cerimónia.
Tenho umas saudades dessa desarrumação...
Que nem calculas.
Da cara contrariada que eu punha,
deliciada com a tua devassa,
querendo impor-te respeito sem sucesso...
E de acabar nua, nos teus braços.
Despias-mee a alma em três tempos.
Punhas-me o coração "ao léu"
e a carne à mostra,
sem que um milímetro de pele não te fosse devoto,
a minha entrega, avassaladora...
A decência? Nenhuma. Para onde me remetias o recato?
Por que artes mágicas me transformavas,
da inocente criatura
senhora dos seus actos e princípios
noutra.
A que adoravas profanar a vida
devassar-lhe a porta.
Ainda me lembro de ti... e tu?
Ainda dizes que te marquei a ferro e fogo?
Depois de mim, nenhuma me apagaria o rasto.
Ainda dizes que para me extinguir em ti... só a morte?
Não!
Não acredito.

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