Esboço triste

 


Fotografia minha, Lisboa, Bairros Históricos

 



Sou um quadro triste, pendurado e quieto no centro do tecto.

Não! Não sou um fresco de mestre pintor.

Não tenho moldura de madeira. Rendilhado de gesso envolve-a ao redor.

Apenas duas lágrimas, que escorrem,

qual pérola, de um coto de vela, 

Dum candeeiro apagado, 

 Ao tecto pregado.


Sou um esboço do passado, meio acabado, 

Quase inatingível e já imperceptível, 

Pela humidade e o tempo. 

Sou o lamento do vento numa sala enorme e pouco mobilada.

Onde a janela está, também ela esburacada...

algo carcomida

pelo bicho e os azares da vida.


Sou a mancha no soalho, a infiltração evidente.

Da lágrima que brota de onde não se nota, pudesse haver gente.

A imagem que alguém um dia quis imprimir...

Para longe, a esconder dos olhos que admiram.

Mas não suportariam.

Que numa parede, tal rosto sombrio.

Se pudesse exibir.


 


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