Intempérie

 

 

S. Pedro de Muel


Abriu a bocarra Éolo cego, engole tudo ao passar. E as ninfas do Tejo tementes das ondas bravias e inclementes, sem rochas onde se acoitar, choram lágrimas de desespero, que engrossam mais o Mar. Afastam-se os barcos da barra, com medo de encalhar, mas as mãos céleres no leme, a rapidez de lidar com as velas, fazem muito pouco por elas, quando as cordas rasgam a pele, de quem as quer manejar... E o sangue corre rubro, tingindo o branco da espuma, indo ao azul se aditar. Anda Belzebu sobre a Terra, operando nela a bel-prazer, sorrindo por onde passa, com a visão de desgraça causada pela sua asa, quando ousa, em qualquer coisa caprichosamente, embater. Vergam-se as árvores até ao chão. Numa dança violenta e não pedida perdendo braços e folhas, e muitas também a vida quando os ramos decepados, acabam por ser-lhes cortados, e Éolo não satisfeito, de tudo à sua volta açoitar e o que resta, engolir Continua incessantemente a soprar, doido e inclemente enfurece, Poseidon senhor do mar.

 

 


Comentários

  1. Poseidon não nos tem dado tréguas minha Amiga. E parece ter invadido a terra. Entre os males a poesia salvadora.
    Um abraço Maria

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  2. Poseidon não nos tem dado tréguas minha Amiga. E parece ter invadido a terra. Entre os males a poesia salvadora.
    Um abraço Maria

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    1. Nem está com vontade de nos deixar, meu amigo! Por esse Portugal fora é muito triste o que está a acontecer às pessoas. Já não chegavam os incêndios. Um abraço, meu bom amigo! Obrigada pela sua companhia e a sua amizade, aqui, na Blogger também. Uma boa semana! Proteja-se. Muita saúde, boas escritas e muita paz!

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