Desgaste Físico
Choviam línguas de fogo
sob a minha cabeça
e por baixo dos meus pés,
vidro partido,
era o percurso mais doce a fazer
para poder ficar ao teu lado
e eu...
Preferia morrer,
a perder-te.
Sebes de arame farpado
eram a vegetação frondosa
forrada a espinhos de rosa
que me feriam a pele,
já desfigurada
para que fosse possível,
acompanhar-te.
E eu... tudo suportava.
A minha vida ofertava, sem proferir um ai.
No fim,
irreconhecível...
dei por mim a caminhar só
Na minha cabeça, um nó indissolúvel
no peito um garrote implacável
que fazia do ar respirável, quilos de sal, nos pulmões...
Sobre a pele, coberta de arranhões,
a ardência do ácido clorídrico.
Respirar, meu amor...
Ao andar a teu lado,
como perder-te depois
Sempre foi...
Engolir vidro. Partido.
De que adiantou o sacrifício.
Tamanho suplício?
Amar-te, adorar-te. O melhor, desejar-te
Resultou tudo, em apenas...
Desgaste físico.

Comentários
Enviar um comentário